Tem gente que adora levar susto no Halloween, mas já cansou de possessão e casa mal-assombrada. Se é o seu caso, a boa notícia é que o terror tem muita coisa assustadora sem sair do mundo dos vivos.
Pânico, por exemplo, precisa só da ligação de um desconhecido para transformar uma noite qualquer em pesadelo. Em Hush: A Morte Ouve, a casa isolada onde a personagem principal mora vira uma armadilha, e em Invasão Zumbi o perigo embarca no trem e segue viagem junto com os passageiros.
É esse tipo de medo que junta os dez filmes desta lista. A ameaça vem de gente, de bicho, de tecnologia ou de criatura de carne e osso, e o tom vai do terror psicológico à ficção científica, passando por perseguição e história de sobrevivência.
O Halloween cai num sábado este ano, em 31 de outubro, então dá tempo de montar a sessão com calma. Tem opção no Disney+, no Paramount+, no Prime Video e no HBO Max, e Hush está de graça no Plex, com anúncios.
1. Pânico (1996)
Os personagens de Pânico conhecem as regras dos filmes de terror e comentam o que fariam para sobreviver, e mesmo assim continuam tão expostos quanto qualquer vítima quando o perigo aparece.
Sidney Prescott é a adolescente no meio disso tudo, cercada por assassinatos e telefonemas ameaçadores, enquanto a cidade tenta descobrir quem está por trás da máscara. E o assassino faz do conhecimento sobre filmes de terror parte do jogo.
Wes Craven dirige esse primeiro filme da franquia, que mistura investigação e perseguição com humor e rende muito palpite numa sessão em grupo. Essa conversa com o público deixa mais leves os intervalos entre um ataque e outro.
2. Hush: A Morte Ouve (2016)
Maddie é uma escritora surda que mora numa casa afastada, e uma noite aparece um assassino do lado de fora. A atriz Kate Siegel faz a personagem, e o filme do diretor Mike Flanagan gira quase todo em torno desse confronto, com ela tentando escapar usando o que tem ao alcance.
Cada janela e cada porta vira parte de um problema que Maddie precisa resolver enquanto o invasor chega mais perto. O som muda tudo, porque em alguns momentos você ouve o que ela não consegue ouvir e fica sabendo do perigo antes dela.
É um dos filmes mais curtos da lista e vai direto ao ponto, com perseguições logo no início.
3. O Homem Invisível (2020)
Cecilia, personagem de Elisabeth Moss, foge de um relacionamento abusivo e tenta pôr a vida de volta nos trilhos. A notícia de que o ex morreu parece dar fim ao pesadelo, mas coisas estranhas começam a acontecer e ela passa a desconfiar que continua sendo perseguida.
O medo aqui mora no espaço vazio em volta de Cecilia. Uma porta aberta ou um canto que parece não ter ninguém começam a merecer atenção, porque a câmera fica parada tempo suficiente para você procurar alguém que talvez esteja ali. Depois de um tempo, até cena comum fica difícil de assistir com tranquilidade.
É um filme pesado, pelo tema do abuso e por quanto Cecilia fica sozinha, ainda mais porque ela não consegue convencer ninguém de que o perigo existe.
4. Corra! (2017)
Conhecer a família da namorada já deixa qualquer um nervoso. Chris, personagem de Daniel Kaluuya, vai visitar a família da namorada, que é branca, e é recebido com uma gentileza meio exagerada. Entre conversas, comentários sobre a aparência dele e o jeito de quem está na casa, a visita vai ficando cada vez mais esquisita.
O diretor Jordan Peele monta o terror em cima dessa convivência. O racismo aparece nas perguntas e nos elogios, e Chris fica dividido entre achar que está exagerando e ir embora de uma vez. A gente acompanha essa dúvida e começa a desconfiar junto com ele.
Tem hipnose e umas ideias de ficção científica no meio, mas a ameaça é humana, e a estranheza de algumas imagens faz parte disso. É uma boa pedida para quem gosta de reparar em diálogo e em atitude que ganha outro sentido mais para a frente.
O começo vai com calma, e a violência fica mais exagerada na parte final.
5. O Menu (2022)
Um grupo de clientes paga para jantar num restaurante exclusivo numa ilha, onde o chef, vivido por Ralph Fiennes, trata cada prato como um espetáculo planejado nos mínimos detalhes. Anya Taylor-Joy faz Margot, que percebe que tem alguma coisa errada naquela noite.
Mark Mylod mistura terror e suspense com um humor bem sombrio, e boa parte da diversão está nos convidados, tão preocupados em mostrar bom gosto e importância que demoram a entender a enrascada em que se meteram. Toda aquela formalidade deixa o chef ainda mais assustador.
O perigo cresce conforme o jantar avança, sempre com uma ponta de ironia. A violência aparece em momentos específicos, alguns bem marcantes, e o filme sabe chocar quando quebra as boas maneiras daquela mesa.
O tom de comédia dá outra cara à sessão e faz dele uma boa escolha para quem gosta de rir de nervoso.
6. Um Lugar Silencioso (2018)
A regra é fácil de entender, e é por isso mesmo que o filme assusta tanto. Uma família precisa viver em silêncio porque umas criaturas encontram as vítimas pelo som, então andar pela casa, atravessar uma rua ou deixar cair qualquer coisa pode atrair o perigo.
John Krasinski dirige e atua ao lado de Emily Blunt, e cada tarefa boba do dia a dia vira uma situação de risco. As pausas deixam você esperando o próximo barulho, e a preocupação com os filhos traz uma tensão que vai além das criaturas.
Tem ataque violento, mas o filme passa mais tempo na espera e no medo de ser encontrado, e mostra menos ferimento do que boa parte da lista. Se der, assista com todo mundo quieto, porque o som faz parte da experiência.
7. Tubarão (1975)
O filme mais antigo da lista assusta com o que você não vê. Os ataques a banhistas colocam uma cidade do litoral em perigo, e o chefe de polícia tem que lidar ao mesmo tempo com o tubarão e com quem não quer interromper a temporada de turismo. Depois, a caçada ao animal leva a história para o mar.
Steven Spielberg faz o suspense crescer a partir do que fica debaixo da água. Você sabe que tem um predador por perto, mas não consegue acompanhar cada movimento dele, e a trilha estica essa espera. A demora de todo mundo em tomar uma providência só deixa tudo mais angustiante.
É mais conversa e preparação do que perseguição, e a primeira metade pede um pouco de paciência.
8. Alien, o Oitavo Passageiro (1979)
Para a tripulação da nave Nostromo, aquilo ali é o local de trabalho, até que eles encontram uma forma de vida que coloca todo mundo a bordo em risco. Ridley Scott dirige o primeiro Alien, com Sigourney Weaver como Ripley, e transforma aquele ambiente de trabalho numa armadilha.
O começo não tem pressa e passa um bom tempo mostrando a nave e o dia a dia da equipe. Isso faz diferença lá na frente, quando os corredores e as salas que você já conhece começam a esconder a ameaça. A nave é grande o bastante para perder a criatura de vista e fechada o bastante para deixar todo mundo preso com ela.
O clima é sufocante, feito de espera e de medo do próximo encontro. As cenas violentas mexem com o corpo humano de um jeito gráfico e perturbador, e mesmo aparecendo pouco elas ficam na cabeça, o que coloca o filme entre os mais intensos da lista.
9. Invasão Zumbi (2016)
Se a ideia é correria, este é o mais agitado da lista. Um pai embarca num trem com a filha bem quando uma infecção começa a se espalhar pela Coreia do Sul, e quando o perigo chega aos vagões os passageiros precisam improvisar para sobreviver e decidir em quem confiar.
O diretor Yeon Sang-ho aproveita o espaço apertado para tornar cada fuga angustiante. Os zumbis são rápidos, as portas e os corredores seguram os infectados só por alguns instantes, e cada tentativa de atravessar o trem pode criar um problema novo.
Mas o drama entre os passageiros conta tanto quanto os zumbis. Tem gente tentando ajudar, gente que só pensa em si mesma e decisões que colocam os outros em risco.
10. Noites Brutais (2022)
Este é daqueles que é melhor ver sabendo pouco, então a gente vai contar só o começo. Uma mulher chega à casa que alugou em Detroit e descobre que um homem já está hospedado lá. Sem uma solução na hora, ela aceita passar a noite, e a dúvida sobre confiar ou não nesse desconhecido é o ponto de partida do filme de Zach Cregger.
Daí em diante, a história muda de rumo e de ritmo mais de uma vez, e a tensão da convivência vai dando lugar a descobertas cada vez mais pesadas. Ele entra nesta lista porque o perigo é humano e a violência é física.
Também é um dos mais desconfortáveis da seleção, com ferimentos gráficos e temas de abuso sexual. Quem gosta de descobrir o perigo aos poucos vai encontrar um filme que começa com cara de suspense, mas termina muito mais brutal.