A piada de Chris Rock sobre Will Smith em Emancipação é tão problemática assim?

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Will Smith fez recentemente seu primeiro discurso de premiação desde sua bofetada no Óscar de 2022. Enquanto isso, Chris Rock, por sua vez, lançou após um ano do ocorrido seu primeiro material humorístico sobre o incidente, um especial que já está disponível desde sábado (4) na Netflix. Apesar de já terem se passado quase um ano desde que Smith causou uma reação sísmica ao atingir Rock com um soco por fazer uma piada sobre a queda de cabelo de Jada Pinkett Smith, as duas estrelas continuam ligadas à premiação como super-cola, ainda mais depois do lançamento Selective Outrage (Indignação Seletiva em português).

No episódio disponível na plataforma de streaming, o comediante de 58 anos , entre outras coisas, criticou a vitimização, dizendo que apesar de ter sido “vítima” jamais se colocaria nesse lugar. “Nunca me vão ver nos programas da Oprah ou da Gayle a chorar. Nunca vai acontecer. Levei aquele murro como o Pacquiao”, fazendo uma referência ao ex-pugilista Manny Pacquiao.

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Na metade final do espetáculo, Chris Rock comentou ainda mais sobre o caso do ano passado, ressaltando que “quem diz que as palavras não magoam nunca levou um soco na cara”. “Todos sabem. Sim, aconteceu, há um ano, levei um murro na porcaria do Óscar”, mencionou. “As pessoas perguntam, ‘Doeu?’Ainda dói! Tenho o Summertime a zumbir nos ouvidos.” Summertime trata-se do single lançado por Will Smith em 1991.

Por fim, quase ao final da apresentação, o comediante faz a piada mais polêmica. O humorista se dirige à plateia e diz que torceu por Will Smith a vida inteira, dando uma quebra de expectativa ao público e conclui de forma surpreendente, mencionando que viu Emancipação [filme em que Smith encarna um escravo] só para o vê-lo sendo chicoteado”. Na imprensa nacional, diversas matérias foram veiculadas trazendo como se fossem absurdas as piadas realizadas por Chris Rock durante o show. Por outro lado, o comediante Bruno Romano, conhecido por expor o lado obscuro dos RHs com doses de humor, enxerga a situação de uma outra forma.

“Primeiro ponto que é preciso entender se trata do fato de, assim como qualquer outro tipo de expressão artística, a piada tem o direito de expressar um sentimento. O pintor pode pintar um quadro quando ocorre uma acontecimento, o cantor pode fazer uma música sobre isso, mas o comediante é privado desse direito. Sempre soa como falta de respeito, como se fosse uma chacota, algo negativo”, enfatiza Bruno Romano, posicionando-se a favor do humorista norte americano.

Além disso, Bruno acredita que a sociedade tem que se posicionar e colocar a “piada em seu devido lugar”, não levando a ferro e fogo as situações neles inseridas. Ainda segundo ele, Chris Rock obviamente não é escravista e nem a favor de agressões ou linchamento e suas palavras fazem referência a apenas uma situação isolada e vivenciada por ele mesmo. “Ele está fazendo graça de si mesmo ao meu ver. Não podemos generalizar o cenário. A piada é mais sobre ele do que qualquer outra coisa. Depois de ter uma carreira consolidada com trabalhos que fizeram as pessoas refletirem e muito sobre racismo estrutural e velado, ele ser acusado como sendo a favor da escravidão me parece desmedido e desreipseitoso”, apontou Bruno Romano.