Crítica: O Homem Invisível

Crítica: O Homem Invisível

O Universo dos Monstros da Universal foi uma das piores ideias que um estúdio poderia ter, depois do grande fracasso comercial de A Múmia de 2017, o projeto decidiu abordar filmes menores e mais independentes entre si, sem a necessidade de entrar no mérito de um universo compartilhado.

Originalmente com Johnny Depp no papel, O Homem Invisível já seria a quarta adaptação do livro de H.G Wells, explorando as consequências dos abusos que sua protagonista sofre com um suspense muito bem construído e com debates importantes para os dias atuais. O Homem Invisível é o terror psicológico que muitos fãs do gênero esperam.

A nova versão conta a história de Cecilia, uma mulher saindo de uma relação abusiva com seu ex-namorado, um gênio no campo da nanotecnologia, Adrian Griffin, e pouco tempo depois de fugir dele, acaba recebendo a notícia que ele faleceu, sendo assim, a herdeira de uma fortuna milionária começa a sentir como se seu ex ainda estivesse perto dela. Após uma série de eventos bizarros e inexplicáveis, Cecilia, terá de provar que Griffin ainda está vivo e atormentando sua vida.

Um atrativo para o filme é o roteiro um tanto quanto convencional, escrito por Leigh Whannell, o filme explora muito bem as relações dos personagens e as consequências dos terrores que a protagonista vive.

Chegando mais próximo de seu terceiro ato, Whannell, aproveita para sair do clichê e explorar as reações da personagem de Elisabeth Moss. Também faz um ótimo trabalho trazendo a história para pautas e assuntos mais recentes, como o relacionamento abusivo, que tem ficado cada vez mais frequente no terror, assim como outros temas sociais.

Whannell também assina a direção e surpreende com tanta particularidade. Durante todo o filme, o diretor utiliza o recurso de primeira pessoa com maestria, a câmera passeando pelo ambiente e observando a protagonista de longe. Foi uma ótima forma de encontrar sua construção narrativa e ditar a atmosfera do filme de maneira única, fugindo dos vícios recorrentes do terror atual.

Leigh Whannell também se encontra no meio de tanta sutileza, criando tensão em planos abertos com poucas coisas acontecendo, deixando o espectador procurando por algum sinal de movimento do vilão, assim conseguindo criar uma ansiedade no público e criando sustos inteligentes e bem calculados, ao invés se entregar para conveniências do gênero.

A direção parece encontrar harmonia com sua protagonista e ambos criam uma sinergia intensa em cena. Mas ainda sim, a direção se enrola em alguns momentos, não sabendo lidar bem com alguns eventos, porém é algo muito minúsculo comparado ao resto.

Todos os elogios para Elisabeth Moss, apesar de estar em sua zona de conforto (uma personagem que sofre abuso e depois quer revidar), a atriz não se entrega para a facilidade, é quase como vê-la em uma atmosfera totalmente nova, fugindo dos vícios de suas atuações famosas, construindo uma personagem mais complexa e cheia de camadas, com facetas diferentes, sem se apegar na protagonista fraca de filmes de terror.

O filme é de Elisabeth Moss também, ela carrega e tem a trama construída em cima de si mesma, não é um trabalho fácil para muitas atrizes. Mas ainda é difícil levá-la a sério em alguns momentos sabendo de seu histórico cinematográfico.

Ainda vale destacar que a trilha sonora do filme também é envolvente, possui um frescor para o terror, abraçando o tom do filme. Todo trabalho de som acaba sendo de demasiada importância para imergir o telespectador em cena e não faz feio.

O Homem Invisível é um ótimo filme e se a Universal continuar nesses projetos independetes de filmes de terror, atualizando os medos dos anos 30 para a atualidade, talvez eles consigam recriar e reaproveitar tendências antigas, mas sem a necessidade de se apegar ao original.

Feito com muito cuidado, o filme consegue impressionar qualquer um com toda a competência apresentada no conjunto final. É uma ótima obra, sendo um terror pipoca bem divertido e ao mesmo tempo de qualidade.

Nota: 8,5/10

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