Crítica: Sonic – O Filme

Crítica: Sonic – O Filme

Desde que tivemos as primeiras imagens oficiais de Sonic – O Filme (Sonic The Hedgehog), o longa-metragem recebeu uma série de críticas, em especial ao visual do ouriço azul. Os adjetivos usados para se referirem ao Sonic iam de “feio” até mesmo a “abominação”. O debate chegou até mesmo a Yuji Naka, criador do Sonic, que reagiu negativamente ao visual do protagonista.

A produção estava fadada ao fracasso e o filme acabou sendo adiado para reformulação do personagem e, com isso, surgiu um novo diálogo, até que ponto um diretor pode colocar sua visão em uma adaptação e, ainda assim, se manter fiel à proposta original do material base? Jim Carrey, antagonista do filme, se posicionou contrário às modificações. Mas a verdade é que blockbusters sobrevivem de bilheteria e, para acalmar os ânimos da audiência, a produção acatou que o personagem precisava ser remodelado, deixando suas características humanoide para um visual mais próximo aos games.

Após os problemas iniciais, o novo visual do Sonic agradou em cheio ao público e até mesmo resultou em comentários positivos de Yuji Naka, que dessa vez se mostrou animado para o filme. Desde a estreia do filme, a produção, agora, passou a ser elogiada pela crítica e pelo público, sendo o filme baseado em games com a melhor recepção da crítica especializada, como também a mais lucrativa. Sonic não é o primeiro filme que migra dos jogos eletrônicos para a tela grande, mas certamente ele surge como um dos impulsionadores que podem fazer com que as adaptações de jogos assumam os topos das bilheterias em um futuro próximo.

O filme do Sonic é uma representação clara do cinema contemporâneo. Na trama, Sonic (Ben Schwartz) é um alien que, após ter o seu planeta natal atacado, usa seus anéis para se teletransportar para o planeta Terra. Embora ele viva escondido, o ouriço cria relações simbólicas com personagens que nem se quer desconfiam de sua existência, pelo menos não todos. Dentre os humanos que Sonic observa, temos o policial Tom (James Marsden) e Maddie (Tika Sumpter), que são como uma família. Essa relação soa extremamente interessante pela pluralidade do elenco. Tom e Maddie formam um casal inter-racial da forma mais natural possível, como deve ser, e a química entre eles é um dos momentos fortes do filme.

Apesar do visual do Sonic ter se tornado mais infantil ao se aproximar de sua contraparte dos jogos, a história do filme vai por outro caminho. Esteticamente, o filme lembra a estrutura de Deadpool, começando pelo final do filme, em uma confusão envolvendo carros e, então, ele começa a narrar de forma cômica os eventos que levaram até aquele momento.

O humor do Sonic é variado, vai de piada de peido até ao humor negro. Sonic e Tom formam uma dupla após o ouriço ser descoberto e perseguido por Dr. Robotnik (Jim Carrey) e seu assistente Agente Stone (interpretado pelo ator libanês Lee Majdoub, ampliando, mais uma vez de forma orgânica, a pluralidade do elenco). A perseguição é agressiva e violenta e Jim Carrey esbanja talento interpretando um vilão maquiavélico e cartunesco.

Após ser descoberto, Sonic resolve que deve mudar de planeta, todavia, após um incidente envolvendo Tom, Sonic perde seus anéis que são capazes de fazê-lo se tele transportar para outros planetas e, dessa forma, uma aliança surge. Para quem jogou os games do Sonic, os anéis, em um determinado momento da aventura, até mesmo fazem você reviver cenas que referenciam o momento em que Sonic é atingindo. Entre a perseguição, o ouriço revela a Tom que tem uma série de coisas que gostaria de fazer na Terra antes de partir e Tom o ajuda com isso. Reforçando a natureza sombria na produção, o que fazia mais sentido o visual “feio” descartado. Um desses desejos é uma briga de bar, com direito a garrafadas. Essa cena em especial é um dos melhores momentos do filme que relembrar bons momentos de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido.

O filme do Sonic é divertidíssimo e agrada de pré-adolescentes até mesmo a adultos que jogaram os games do Sonic em sua infância. Pois ele usa elementos dos jogos de forma estratégica e assertiva, muitas vezes engraçada e carismática.

O elenco do filme é outro grande acerto da produção. James Marsden, por exemplo, entrega um de seus melhores papeis e não será surpresa caso Sonic ganhe derivados e o seu personagem cresça ainda mais. Jim Carrey, como não poderia deixar de ser, é um dos personagens mais interessantes do filme e entrega bons momentos, como o ator não é muito chegado em sequência, fica a dúvida se o seu personagem retornará no futuro.

O filme, assim como boa parte dos blockbusters recentes, possui cenas pós-créditos, sendo duas, mais precisamente. Sendo que uma delas é uma homenagem aos games e deixa aquele gostinho de quero mais para uma vindoura continuação.

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