Os acertos e erros da franquia ‘Caça-Fantasmas’

Se hoje um fantasma aparecer na sua casa você provavelmente vai chamar um exorcista, um padre/pastor ou um psiquiatra, mas nos anos 80, as pessoas não tinham dúvidas de quem chamar, sim estamos falando deles, os Caça-Fantasmas, improváveis heróis que só a aquela década insana conseguiria conceber.

No artigo de hoje vamos falar dos filmes, desenhos animados, quadrinhos e games da franquia dos caras que usam mochilas de prótons e um carro super estiloso chamado Ecto-1 para enfrentar aqueles espíritos mais inconvenientes que testemunhas de jeová que batem na porta Domingo de manhã (antes de qualquer coisa, isso foi uma piada, nos dias de hoje é sempre bom deixar claro).

Sem mais delongas vamos nessa.

Quem você vai chamar?

Os conceitos iniciais do que se tornaria o primeiro filme, vieram de Dan Aykroyd, que queria fazer uma obra com os protagonistas viajando no tempo e no espaço para combaterem ameaças sobrenaturais.

Esse conceito apesar de interessante, era inviável para a época, sendo assim o roteiro foi reestruturado para o que conhecemos hoje.

Peter Venkman (Bill Murray), Egon Spengler (Harold Ramis) e Raymond Stantz (Aykroyd) são três professores fracassados e quase falidos de parapsicologia, que resolvem montar um negócio inusitado com o pouco dinheiro que lhes resta: Abrir uma empresa para capturar fantasmas.

Tendo um antigo prédio do corpo de bombeiros como sede e contando com a ajuda da secretária Janine Melnitz (Annie Potts), o trio passa á ir atrás de casos sobrenaturais, o problema é que de início não acontece nada, mesmo com eles tendo até mesmo um comercial na TV. O primeiro caso acaba sendo justamente com fantasma mais famoso da saga, o esfomeado Geleia e daí o sucesso começa.

Com o aumento curioso no número de casos, eles contratam um quarto integrante chamado Winston Zeddemore (Ernie Hudson) e acabam se deparando com o real motivo do aumento da atividade sobrenatural na cidade, quando tentavam ajudar uma moça chamada Dana Barrett (Sigourney Weaver). A causa é uma entidade extremamente poderosa chamada Gozer, que rende a famosa batalha final contra o homem de marshmallow, o Stay Puft.

O sucesso foi imediato, com o longa se tornado um sucesso enorme de bilheteria e de cara se tornando extremamente marcante para a cultura pop, tendo também a empolgante música homônima de Ray Parker Jr. para ajudar a popularizar o filme ainda mais.

A mistura inusitada de um humor de primeira (tendo até a participação de Rick Moranis, figura famosa dos principais filmes de comédia nos anos 80/90) e terror, se provou acertada e o investimento feito no filme (ele era até então um dos filmes de comédia mais caros) deu resultado, com a obra dirigida por Ivan Reitman sendo a comédia de maior sucesso dos anos 80.

Uma mina de ouro foi descoberta e claro, que eles não poderiam ficar em um filme só.

Sequência tardia

Mesmo com o grande sucesso do filme gerando várias produtos e derivados como games e uma série animada (em breve falaremos deles), no cinema mesmo a franquia demorou alguns anos para retornar, até que finalmente em 1989, foi lançado o aguardado Caça-Fantasmas 2. Tendo exatamente o mesma direção, produtores e elenco do filme anterior, o longa mostra a vida dos heróis cinco anos depois dos acontecimentos do primeiro longa.

Proibidos de atuarem como Caça-Fantasmas após a destruição causada pela batalha final do primeiro filme, o grupo tenta viver vidas normais. Ray e Winston se tornaram animadores de festas infantis, Egon voltou á fazer pesquisas paranormais e Peter foi o mais bem sucedido tendo um programa na TV sobre psiquiatria.

Porém os problemas ressurgem quando Dana que agora tem um filho ainda bebê chamado Oscar e trabalha na restauração de pinturas antigas tem a vida de seu filho ameaçada pelo fantasma de um ditador chamado Vigo (Wilhelm von Homburg) que pretende reencarnar usando a criança como hospedeiro. Os Caça-Fantasmas então são obrigados á voltarem a ativa para combater a ameça de Vigo.

A crítica não gostou muito do filme, mas o público sim, mas ainda assim existe um consenso que a primeira aventura é bem melhor. Para bem ou para mal, o segundo filme ajudou a consolidar ainda mais a franquia.

Reboot desastroso

Durante muitos anos se teve o projeto de um novo filme de Caça-Fantasmas, mas ele nunca saia do papel, por vários motivos, mas principalmente pela recusa de Bill Murray á retornar ao papel de Peter Venkman.

Com o falecimento de Harold Ramis (Egon) em 2014, tudo indicava que um terceiro Caça-Fantasmas realmente nunca iria acontecer. A solução foi fazer um reboot da franquia, desta vez focando em um elenco feminino.

Lançado em 2016 e dirigido por Paul Feig, o longa tem um roteiro similar ao longa original onde as cientistas Erin Gilbert (Kristen Wiig), Abby Yates (Melissa McCarthy) e Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) se unem á Patty Tolan (Leslie Jones), uma funcionária do metrô que tem um grande conhecimento da cidade de Nova York e ao assistente bobalhão Kevin Beckman (Chris Hemsworth), para formarem as Caça-Fantasmas combatendo ameaças sobrenaturais na cidade.

Apesar do elenco promissor e ter até algumas boas piadas, o filme se revelou um desastre, com um roteiro fraco que exagera nas cartilhas, mostrando quase todos os homens do filme como figuras desprezíveis ou incompetentes (diferente do filme original, que apesar de ser protagonizado por homens, dava papéis de destaque para mulheres como Dana e a secretária Janine).

O filme foi um fracasso de bilheteria e apesar de ser até bem aceito pela crítica, não agradou o público em geral, o que impossibilitou qualquer ideia sobre uma sequência.

Outro ponto que os fãs criticam no filme, são as participações especiais ruins e apagadas do elenco original.

Nova estratégia

Se imaginou que depois do fracasso do filme anterior a franquia iria finalmente descansar em paz (me desculpe por isso, piada fraca), mas não foi o que aconteceu. Vendo o sucesso que a série Stranger Things e o longa IT fizeram, os produtores resolveram seguir a mesma ideia: Colocar crianças para protagonizar um novo filme e assim surgiu Os Caça-Fantasmas: Mais Além (Ghostbusters: Afterlife).

A ideia é a mesma: Colocar um elenco infantil para lidar com as ameaças sobrenaturais (esse tipo de coisa era recorrente nos filmes dos anos 80, mas se perdeu com o tempo só retornando recentemente). O filme vai focar em uma nova geração de Caça-Fantasmas, que já era uma ideia antiga da franquia que agora é executada de uma maneira que parece ter tudo para dá certo.

O filme conta com a presença de Paul Rudd, Finn Wolfhard (justamente um dos astros de Stranger Things e IT), J. K. Simmons e o retorno do elenco clássico e a direção de Jason Reitman, filho do já citado Ivan Reitman, o diretor dos dois filmes originais.

O filme é finalmente o tão esperado Caça-Fantasmas 3 e deveria ter sido lançado esse ano mas por causa da pandemia foi adiado para o ano que vem, 2021.

Só nos resta esperar!

Os Caçadores de espectros em outras mídias

Com o sucesso que os filmes tiveram, os Caça-Fantasmas não poderiam ficar só no cinema, por isso eles tiveram vários produtos e versões para outras mídias, começando por uma série animada em 1986 e outra em 1997, vários jogos lançados para várias plataformas como NES, Mega-Drive e o game “definitivo” Ghostbusters: The Video Game de 2009, que praticamente é um Caça-Fantasmas 3 em forma de jogo.

Existem também uma boa quantidade de series de quadrinhos, produzidas por editoras como a Marvel e a IDW. A equipe também teve crossovers inusitados nas HQs, como com as Tartarugas Ninja acima e também com Arquivo-X. Com o possível sucesso do novo filme, a franquia Ghostbusters tem tudo pra continuar por um bom tempo, pois afinal uma marca tão popular não pode virar…um fantasma.

E você, é fã de Caça-Fantasmas? Se sim qual o seu filme favorito? E claro, está animado para o novo filme?

Deixe a sua opinião.

Ver comentários