Revisitando: Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013)

Revisitando: Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013)

Há oito anos nosso querido Guillermo Del Toro idealizou uma história de robôs gigantes contra criaturas enormes e que, apesar de clichê, deu super certo e se tornou o conhecido Círculo de Fogo, amado por muitos e odiado por outros na mesma proporção.

A premissa do filme parte de contar uma guerra entre os robôs gigantes, Jaegers versus monstros submarinos gigantes, os Kaiju, estes chegavam em nosso planeta através de uma fenda que foi aberta no pacífico e ameaçavam destruir toda a existência humana para poder colonizar o planeta e transformar a Terra em seu novo lar. Os personagens Raleigh Becket,(Charlie Hunnam) , Mako Mori (Rinko Kikuchi) e Stacker Pentecost (Idris Elba), são pilotos das máquinas de guerra criadas para combater tais criaturas e todos possuem traumas que precisam enfrentar para impedir que o Juízo Final chegue para nossa existência.

Círculo de Fogo

Um dos destaques desse projeto claramente é seu “world building”, ou seja, a maneira como o mundo se constrói em volta da narrativa e seus elementos. A introdução do filme já passa toda a ideia cataclísmica pela qual o mundo vem passando por muitos anos. E mesmo se tratando de algo fictício, a física desse filme é algo louvável, coisa que poucos longas do gênero conseguem alcançar pois apelam para a famosa “suspensão de descrença”. Cito como exemplo disso, o fato de serem necessários dois pilotos humanos para pilotar o Jaeger, e a cada movimento é perceptível o quanto aquela máquina de guerra é algo pesado e difícil de ser manobrado.

Com claras referências a Evangelion e a obra de Ishiro Honda (Godzilla,1954), Travis Beacham e Guillermo del Toro conseguiram colocar toda sua paixão pelo gênero de monstros gigantes e destruição em massa aqui com uma genialidade certeira e necessária para fazer com que a estrutura clichê de sua história se tornasse algo esquecível, nos dando momentos icônicos como a primeira vez que nos é mostrado o processo de iniciação do Gypsy Danger, o Jaeger principal, e o famigerado momento do botão da espada durante a luta contra o Kaiju Otachi.

Círculo de Fogo

Como havia mencionado anteriormente, os personagens aqui são todos bem desenvolvidos com seus dramas pessoais e todos tem sua história ligada ao universo maior, fazendo com que você se importe com cada decisão tomada pelos mesmos e fique aflito quando se encontram em situações de perigo. Até a contraparte dos personagens humanos que é a colmeia que comanda os Kaiju de sua dimensão/planeta, apesar de ser superficialmente explorada é o suficiente para entendermos todo o perigo que essas criaturas oferecem e suas motivações.

A maior parte das batalhas principais do filme se passam em ambientes noturnos e chuvosos, mas o trabalho de fotografia e design aqui fazem uma diferença tremenda para que tudo seja visto; os próprios Jaegers são equipados com luzes e muitos dos Kaiju possuem efeitos neon, seja em sua pele ou no fluído que sai deles simulando sangue.

Por fim, apesar de uma história clichê que lembra muito uma temporada de anime com doze episódios, Círculo de Fogo ao meu ver é um jovem clássico e um ótimo filme de introdução de universo, que apesar de ter um ritmo lento após o seu prólogo de dezessete minutos, consegue se desenrolar bem e mostrar todo o terror causado por uma guerra entre humanos, suas máquinas e uma raça alienígena colonizadora. É realmente uma pena que a sequência não faça jus a toda estrutura apresentada nesse filme, se tornando uma espécie de Transformers genérico que deve ser esquecido e seu precursor exaltado.

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