Uma análise dos filmes da saga !!’Resident Evil’!!

Poucas sagas do cinema causaram tanto rebuliço quanto os seis filmes baseados em Resident Evil, o famoso game de survival horror da Capcom.

A crítica simplesmente os odeia, boa parte do público também (principalmente os fãs dos jogos), mas mesmo assim todos os longas foram muito bem em bilheteria, o que indica que alguma coisa, Paul W. S. Anderson, o principal diretor e produtor da série deve ter feito certo.

Hoje iremos relembrar os filmes da franquia falando de seus erros e também de seus acertos, pois sim, eles existem.

Vamos começar

Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002)

Se hoje filmes baseados em games ainda são raros, no começo dos anos 2000, não era muito diferente, por isso foi uma surpresa quando um filme de Resident Evil foi anunciado. RE sempre foi um game com uma forte pegada cinematográfica, o primeiro jogo usava cutscenes live-action, sem falar na própria temática com zumbis sendo claramente inspirada em George Romero. Então a sua adaptação para o cinema era praticamente o caminho natural.

Para direção foi chamado Paul W. S. Anderson que já tinha uma certa familiaridade em dirigir filmes baseados em jogos, já que é dele o primeiro Mortal Kombat de 1995.

A trama tem semelhanças com a do game clássico, mas claro toma várias liberdades á começar pela protagonista, ao invés de Jill Valentine somos apresentados á amnésica Alice papel que marcaria a carreira de Milla Jovovich (para bem e para o mal). Alice acorda sem memórias em uma mansão que acaba se revelando a entrada de uma enorme instalação subterrânea chamada a Colmeia, pertencente a Umbrella Corporation que é simplesmente a maior empresa do mundo. Alice se ver obrigada á acompanhar um time de mercenários á serviço da Umbrella liderados por um homem chamado Shade (Colin Salmon), que tem a durona Ocampo (Michelle Rodriguez) como uma das integrantes.

O grupo tem uma missão dentro da Colmeia e lá descobrem um verdadeiro cenário de horror, infestados de zumbis e monstros criados através do T-Vírus, uma arma biológica criada pela Umbrella.

Para piorar ainda mais eles precisam lidar com a Rainha Vermelha, uma inteligência artificial assassina. Apesar das várias liberdades, esse primeiro longa até tem bastante semelhanças com o jogo original, começando pela mansão que é na verdade uma instalação secreta e com a presença de inimigos como os cães zumbis.

E mesmo que Alice não seja Jill, uma mulher é a protagonista como no jogo.

O filme tem bastante cenas de ação fantasiosas (que se tornaria uma coisa recorrente nos demais longos) e até boas cenas de horror, porém o roteiro é bem básico e os efeitos especiais não envelheceram bem. Porém mesmo com os problemas, até mesmo muitos dos detratores da saga, admitem que este primeiro longa é um dos melhores dela (ou um dos menos piores se preferir).

Resident Evil 2: Apocalipse (2004)

Como o primeiro filme, a sua sequência até que tem algumas coisas similares aos jogos, mas especificamente aos Resident Evil 2 e Resident Evil 3: Nemesis principalmente por esse último, já que o filme tem uma versão do famoso monstro Nemesis, que persegue os seus alvos enquanto grita: “Staars.”

A história começa imediatamente após os acontecimentos do filme anterior, com Alice acordando em um hospital de Racoon City e descobrindo que o T-Vírus se espalhou pela cidade, entupindo de zumbis e monstros.

Alice então se une á personagens diretamente saídos dos jogos, a própria Jill Valentine vivida por Sienna Guillory (e com um visual idêntico ao dos jogos), além do mercenário renegado da Umbrella Carlos Oliveira (Oded Fehr) e os outros sobreviventes para juntos tentarem fugir da cidade.

Mas além dos zumbis e os monstros Lickers, Alice e seus companheiros irão precisar lidar com o Nemesis e a própria Umbrella. Como o primeiro o filme, este tem muitos problemas, a história é rasa, o visual do Nemesis é problemático e algumas atuações são bem vergonhosas.

Além de ter péssimas cenas, como a famosa onde o Nemesis…chora.

Mesmo assim, Resident Evil 2: Apocalipse é um filme de ação escapista até que competente e também tem elementos que remetem aos jogos.

A crítica odiou, mas o público não, fazendo do filme um grande sucesso de bilheteria, que claramente deu sinal verde para a série continuar.

Uma curiosidade é que este longa foi dirigido por Alexander Witt e não por Paul Anderson

Resident Evil 3: A Extinção (2007)

O subtítulo já dá uma ideia do que se esperar na história.

O T-Vírus não ficou apenas em Racoon City e rapidamente se espalhou pelo mundo provocando o apocalipse zumbi e como bem sabemos, infelizmente, essas coisas de vírus se espalhando pelo mundo não são assim tão distantes da realidade (mais uma vez temos um caso da vida imitando a arte, não que os filmes de Resident Evil sejam “arte”, mas vocês entenderam).

Nesse mundo devastado existem poucos sobreviventes que precisam sempre continuar em movimento se quiserem sobreviver e claro, Alice é um deles.

Ela descobre que pode existir um possível local seguro e sem infecção no Alasca e após encontrar um grupo de sobreviventes se une á eles na viagem. Entre os membros do grupo se encontram o retornante Carlos Oliveira e mais uma personagem dos games: Claire Redfield (Ali Larter). Porém a Umbrella ainda existe, sendo liderada por figuras malignas como o Dr. Sam Isaacs (Iain Glen) e Albert Wesk (Jason O’Mara) o principal vilão dos jogos.

Ao contrário dos filmes anteriores, este terceiro se distancia ainda mais dos games, trazendo uma história bem á parte, apesar de ter ainda alguns dos aspectos dos jogos.

Como era de praxe, o longa teve uma péssima aceitação da crítica, mas foi bem em bilheteria.

Como Apocalipse, a Extinção não foi dirigido por Paul Anderson e sim por Russell Mulcahy.

Uma curiosidade é a presença do ator Linden Ashby que viveu Johnny Cage no primeiro filme do Mortal Kombat e aqui interpreta um dos sobreviventes.

Resident Evil 4: Recomeço (2010)

O subtítulo enganoso pode dá a ideia que se trata de um reboot, mas não é o caso.

Desta vez Alice vai parar em Los Angeles e mais uma vez se une á um grupo de sobreviventes.

Além do retorno de Claire, o filme também conta com a presença do irmão da moça, Chris Redfield um dos personagens principais nos games, mas aqui rebaixado á coadjuvante.

Chris foi vivido por Wentworth Miller, famoso por Prison Break e por viver Leonard Snart nas séries do Arrowverso.

O vilão principal pela primeira vez é o Albert Wesk interpretado agora por Shawn Roberts.

Recomeço também trouxe de volta Paul Anderson para a direção.

O filme tem alguns elementos dos games até então recentes, mas apesar disso, o longa acabou indo bem nas bilheterias, já era visível um desgaste indicando que a franquia já deveria ter acabado, mas isso ainda iria demorar para acontecer.

Resident Evil 5: Retribuição (2012)

Se o longa anterior já parecia uma extensão desnecessária, este então evidentemente se trata de uma.

O único motivo que encontro para a existência do mesmo é o fanservice, pois a quantidade de personagens dos jogos é ainda maior.

Além dos retornos de Jill e Wesker novamente vividos por Sienna Guillory e Shawn Roberts, o filme conta também com as presenças de Leon Kennedy (Johann Urb), Ada Wong (Li Bingbing) e até mesmo Barry Burton (Kevin Durand).

E além do fanservice dos games, o filme também faz aos longas anteriores, pois Michelle Rodriguez, Oded Fehr e Colin Salmon também reaparecem.

A história gira em torno de Alice tentando escapar de uma instalação da Umbrella que simula grandes cidades do mundo e se aliando á Leon, Ada, Barry e outros para isso.

Na prática o filme não agrega muita coisa para a história, sendo apenas um capítulo desnecessário que poderia muito bem não ter sido feito.

Sem falar nos problemas como personagens descaracterizados (a personalidade de Leon é totalmente diferente da dos jogos).

Paul Anderson também dirigiu este.

Resident Evil 6: O Capítulo Final (2016)

E finalmente em 2016 o último filme da saga foi lançado, mais uma vez escrito e dirigido por Paul Anderson.

A história mostra Alice descobrindo toda a verdade sobre a Umbrella e a real origem do apocalipse zumbi e o seu confronto definitivo com Dr. Isaacs que se revela o verdadeiro vilão da história.

Este filme tem todos os problemas dos anteriores, mas tem algo ainda mais grave porque ele entra em contradição com os demais longas.

Na sua tentativa para fechar a história, Anderson e companhia cometeram erros complicados de ignorar.

Para piorar muitos personagens sobreviventes foram ignorados neste, deixando o seu destino em aberto (a única retornante é a Claire).

Os filmes nunca foram sensacionais, mas a sexta e última parte acabou tendo um final incoerente.

Bem, mesmo com todos os seus problemas a franquia fez coisas boas, é uma das poucas longevas á ter uma protagonista feminina em uma época onde isso ainda não era tão comum e muitos dizem que isso foi a principal inspiração para criação de outra conhecida série de filmes de terror com uma heroína como personagem principal a da guerra entre vampiros e lobisomens chamada Anjos da Noite.

E claro, o seu maior erro é a má utilização dos personagens dos jogos, fazendo deles meros coadjuvantes, com alguns se limitando a aparecerem em único filme.

Bem amando a franquia ou não, ela acabou. Para quem a odiava pode ficar feliz, já que rumores apontam para uma nova série de filmes mais fiéis aos games.

Já os fãs da mesma, parecem que terão uma nova chance de ver Milla Jovovich e seu marido Paul W. S. Anderson em ação, pois ambos estão produzindo um novo filme baseado em um jogo da Capcom: Monster Hunter com previsão de estreia para o ano que vem, 2021.

E você gosta dos filmes ou odeia com toda a força de sua alma?

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