Toda semana chega coisa nova na Netflix, e mesmo assim um dos filmes que mais aparecem no Top 10 da plataforma é a história de um ogro verde que estreou em 2001. O primeiro Shrek, que fez 25 anos este ano, já soma nove semanas no ranking.
A explicação mais fácil seria a nostalgia, e ela pesa, claro. Mas tem mais coisa por trás desse sucesso, e uma parte tem a ver com o jeito como o Brasil se apegou ao personagem.
Uma piada para a criança, outra para o adulto
Para uma criança, Shrek é uma história fácil de acompanhar. Um ogro quer o pântano dele de volta, precisa resgatar uma princesa para conseguir isso e, no meio do caminho, acaba se apaixonando por ela. É tudo colorido e cheio de personagem de conto de fadas que a gente reconhece de cara.
Só que, por baixo dessa história, o filme está o tempo todo fazendo outra coisa. Tem piada sobre relacionamento, aparência, ego, celebridade, parque temático e até sobre homem que precisa compensar alguma coisa, sem contar o tanto que ele tira sarro dos clichês dos próprios contos de fadas.
Muita coisa disso passa batido quando você é criança e fica muito mais engraçada quando você revê o filme anos depois (e tem umas ali mais ousadas do que você deve lembrar).
É por isso que Shrek envelheceu diferente de muita animação da mesma época. A nostalgia faz a pessoa dar play, mas quem volta ao filme com 25 ou 30 anos continua assistindo porque ainda acha graça, e muitas vezes de piada que nem tinha percebido da primeira vez.
O ogro que virou meme

Tem também uma geração inteira que talvez tenha conhecido o Shrek pela internet antes de ver qualquer um dos filmes.
Nos anos 2010, o ogro ganhou uma segunda vida em meme, montagem, vídeo e piada irônica, com comunidades inteiras que fizeram o personagem ficar muito maior do que ele era nos filmes. A coisa cresceu tanto que virou tema de estudo acadêmico sobre cultura de meme e sobre como a internet pega personagens conhecidos e dá outro uso para eles.
E isso deu ao Shrek uma coisa que pouca franquia tem, que é continuar na conversa mesmo nos períodos longos em que não tinha filme novo nenhum a caminho do cinema. Você pode passar anos sem assistir os filmes e continuar esbarrando no ogro no TikTok, no Instagram, no YouTube, no X ou no grupo de amigos.
Então, quando os filmes voltam a ficar fáceis de achar num serviço do tamanho da Netflix, o público já chega conhecendo o personagem.
Do Bussunda à Tela Quente, o Shrek brasileiro
Aqui no Brasil, a história ganhou mais um ingrediente, que é a dublagem.
O Bussunda dublou o Shrek no primeiro filme e voltou em Shrek 2, e a voz dele ficou colada na memória de quem conheceu a franquia nos anos 2000. Depois que o humorista morreu, em 2006, quem assumiu o ogro foi o dublador Mauro Ramos, a partir de Shrek Terceiro.
O resto do elenco ajudou a dar essa cara brasileira ao filme. O Burro ficou com o Mário Jorge de Andrade, que é a voz de sempre do Eddie Murphy por aqui, e o Alexandre Moreno deu ao Gato de Botas um jeito que é só da versão nacional.
A televisão aberta também teve a parte dela, e a Folha lembrou neste ano que a exibição do primeiro Shrek na Tela Quente, três anos depois da estreia nos cinemas, teve uma das maiores audiências neste século.
Tudo isso bem na hora de Shrek 5

E esse ganho de popularidade não acontece num momento qualquer. A DreamWorks comemorou os 25 anos da franquia em maio e, em junho, soltou um teaser novo de Shrek 5, com Mike Myers, Eddie Murphy e Cameron Diaz de volta como Shrek, Burro e Fiona. A Zendaya também está no elenco, como a Felicia, filha do casal.
O filme está marcado pela Universal para 30 de junho de 2027, então o público está reencontrando o primeiro Shrek bem quando a franquia está retornando.
E isso pega gente de todo tipo, porque quem viu os filmes há muitos anos ganha um bom motivo pra rever tudo antes da continuação. Para quem conhece o Shrek mais pelos memes, é a chance de descobrir de onde saiu aquilo tudo, e a criançada que nunca teve contato com o personagem encontra na Netflix um jeito fácil de começar.
Talvez por isso essas nove semanas no Top 10 digam tanto sobre o Shrek. Pouca animação passa 25 anos juntando público novo pelo caminho, e a maioria acaba envelhecendo junto com quem viu primeiro.
Mas e você, já viu Sherek recentemente?
