Verity: veja as maiores diferenças entre o livro e o filme

Chastin sai da história, Lowen perde uma parte importante de seu passado e o desfecho ganha novas cenas na adaptação com Anne Hathaway e Dakota Johnson.

Quem leu Verity antes de ir ao cinema vai perceber logo de cara que a família Crawford encolheu. A adaptação do livro da Colleen Hoover estreou nos cinemas brasileiros na última quinta, 1º de outubro, e as mudanças vão bem além de deixar a história mais curta.

Quem dirige é Michael Showalter. Dakota Johnson é Lowen Ashleigh, uma escritora sem dinheiro que aceita terminar a série de livros de uma autora famosa, e Anne Hathaway vive essa autora, a Verity Crawford, que ficou incapacitada depois de um acidente. Josh Hartnett é o Jeremy, marido da Verity.

A base continua igual, com a Lowen indo trabalhar na casa dos Crawford e achando um manuscrito em que a Verity conta uma versão de dar arrepio da vida da família. O que muda é o caminho até essas revelações e parte das pistas que você usa para decidir em quem acreditar.

Daqui para a frente tem spoiler do livro e do filme, inclusive do final, então se você ainda não viu, melhor voltar depois da sessão.

A família Crawford ficou menor

No livro, a Verity e o Jeremy têm três filhos. Primeiro vêm as gêmeas, Chastin e Harper, e depois o caçula, Crew.

Chastin morre de uma reação alérgica a amendoim numa festa do pijama, e tempos depois a Harper se afoga num passeio de canoa. Quando a Lowen chega à casa, o Crew é o único filho que sobrou.

O filme tira a Chastin da história e transforma a Harper e o Crew em gêmeos. Com isso vão embora uma das tragédias e a segunda gravidez da Verity.

E muda também o motivo que o manuscrito dá para a crueldade da Verity com a Harper. No livro, ela culpa a menina pela morte da irmã. No filme, o que pesa é o ciúme, porque a Verity não aguenta a atenção que o Jeremy dá para a filha. É uma explicação mais simples, e ela muda o jeito como você enxerga a violência contra a Harper.

Algumas das cenas mais pesadas ficaram de fora

O manuscrito da Verity tem trechos bem difíceis de encarar no livro. Um dos piores, em que ela tenta interromper a gravidez com um cabide, ficou de fora do filme, e com isso a violência física durante a gravidez aparece menos na tela.

Mas não espere uma versão suave.

A cena em que ela tenta sufocar a Harper recém-nascida está no filme, então parte da violência contra os filhos foi mantida mesmo com outros episódios cortados.

A Lowen não é mais sonâmbula

Para quem gosta de desconfiar de todo mundo (e em Verity a gente desconfia de todo mundo), essa talvez seja a mudança que mais pesa. No livro, a Lowen é sonâmbula. Isso faz parte do passado dela e explica por que ela não consegue confiar muito no que pode ter feito durante a noite.

O diretor Michael Showalter chegou a filmar cenas com essa parte da história, mas acabou cortando para manter o foco e o ritmo do filme.

E isso mexe com o suspense. No livro, você tem motivo para desconfiar até da própria Lowen, do que ela enxerga e do que pode ter feito sem estar acordada de verdade. No filme, essa fonte de dúvida fica bem menor.

Outra cena que não chegou às telas é a do Jeremy no supermercado, conversando com outras mães. Ela mostrava como ele era visto fora de casa, e sem ela o filme fica ainda mais fechado no que acontece dentro da família.

O manuscrito vira cena, e é bom desconfiar dela

No livro, a voz da Lowen é interrompida pelos capítulos do manuscrito, em que a própria Verity conta a história dela, e a Lowen vai tentando encaixar aquelas páginas no que encontra pela casa.

No filme, boa parte desse material virou flashback ou imagem da cabeça da Lowen. Showalter contou à Entertainment Weekly que procurou um jeito de mostrar a Verity ativa e cheia de carisma, bem diferente do estado em que ela está no presente.

Só que isso muda o peso das pistas. Quando você vê uma coisa acontecendo na tela, a tendência é acreditar que foi daquele jeito, mas a cena pode ser só a Lowen imaginando o que leu.

A Anne Hathaway falou disso numa entrevista ao Rotten Tomatoes. Ela contou que pensou a atuação levando em conta essa diferença, porque a Verity imaginada pela Lowen pode parecer mais cruel, enquanto a Verity de verdade precisa causar outra impressão. Então vale assistir de olho aberto e não acreditar tanto na certeza que as imagens parecem passar.

O beijo entre a Lowen e Verity foi criado para o filme

A cena entre Dakota Johnson e a Anne Hathaway nasceu de um momento que, no livro, é bem mais contido, quando a Lowen e o Jeremy se aproximam com um abraço e uma conversa sobre a Harper.

Na tela, esse encontro ganha uma carga sexual bem maior, e uma fantasia com o Jeremy passa a ter a Verity no centro. A ideia veio do diretor e das duas atrizes, e a Colleen Hoover contou que no começo ficou com o pé atrás, mas depois gostou do resultado.

A cena abre outra leitura da relação entre as duas. A desconfiança e a rivalidade continuam ali, só que a fixação da Lowen pela Verity também vira desejo, e o interesse dela passa a incluir a própria mulher cuja vida ela está conhecendo pelo manuscrito.

O jantar vira encontro, e Verity vai parar no Hot Ones

O jantar com o Jeremy também mudou. No livro, o Crew vai junto. No filme, vira uma comemoração do aniversário da Lowen, só os dois, num restaurante chique, o que deixa a intenção romântica clara bem mais cedo. O pseudônimo Laura Chase, que a Lowen usa no livro, não aparece.

E tem uma novidade para quem acompanha podcast e programa de entrevista. A Verity aparece no Call Her Daddy, com a Alex Cooper, e no Hot Ones, com o Sean Evans.

As duas participações foram criadas para o filme e mostram a fama da escritora, um lado público que aparece bem menos no livro. Isso ajuda a marcar a distância entre a autora que todo mundo conhece e a mulher que surge no manuscrito.

A morte da Verity é escondida de outro jeito

No livro, o Jeremy mata a Verity com a ajuda da Lowen, e os dois fazem parecer que ela se engasgou com o próprio vômito. Depois disso a história pula para a vida do casal, que está esperando um filho.

No filme, os dois jogam o corpo no lago, e tem até uma conversa com a polícia depois que ele é encontrado. A imagem lembra a morte da Harper, que se afogou, e como a farsa dura mais tempo, fica bem mais claro que a Lowen é cúmplice.

A carta continua sendo a peça principal do final. A Lowen encontra a carta depois que a Verity morre, e nela a Verity diz que o manuscrito era só um exercício de escrita e acusa o Jeremy de ter provocado o acidente de carro. Mas essa é a versão da carta, e o fato de ela existir não prova que a Verity era inocente.

O diretor Showalter disse ao E! News que tentou respeitar o ponto de vista de cada um dos três e deixar o público na dúvida.

Verity está disponível nos cinemas, desde 1º de outubro.


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